Terça-Feira, 16 de Maio de 2006
Uso de gás no Paraná ainda é baixo
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A adoção do gás natural no Paraná está em estágio incipiente. Enquanto o combustível responde por quase 9% da energia consumida no país, no estado seu peso é de apenas 2%. Segundo o presidente da Companhia Paranaense de Gás, Luiz Carlos Meinert, ainda há espaço para aumento no consumo. Hoje a empresa vende cerca de 750 mil metros cúbicos por dia, enquanto seu contrato com a Petrobrás prevê uma garantia de fornecimento de 1,9 milhão de metros cúbicos. “Havendo a entrega do gás pela Bolívia, é possível expandir o consumo no estado”, diz Meinert. Todo o gás distribuído no estado vem da Bolívia. Ele é entregue pela rede da Compagás, que passa pelas regiões de Curitiba e Ponta Grossa. A empresa tem planos de levar o combustível para o norte do estado, mas isso depende da assinatura de contratos firmes de fornecimento – algo difícil de ocorrer enquanto os bolivianos ameaçarem a Petrobrás.
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HISTÓRIA
Duto acelerou adoção do combustível
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A inclusão do gás natural na matriz energética do Brasil ocorreu de foma tardia. Durante a década de 1970, quando as duas crises do petróleo elevaram os preços dos combustíveis, a Petrobrás focou sua atividade na procura de óleo. Com isso, o gás ficou responsável por menos de 3% da energia consumida no país. “A forma de prospecção dos dois materiais é diferente. A Petrobrás só começou a procurar gás na última década”, diz o professor da UFRJ Giuseppe Bacoccoli, que foi funcionário na área de extração da estatal. A procura do gás pela empresa coincidiu com o crescimento da demanda que ocorreu após a construção do gasoduto Brasil–Bolívia, em 1999. O projeto de exploração em território boliviano tinha como objetivo incluir um combustível mais barato e menos poluente que o óleo – a um custo mais baixo do que a prospecção em alto-mar. Um dos efeitos esperados pelo governo federal era reduzir o risco de apagões ao viabilizar a instalação de termoelétricas. “A decisão foi acertada porque o preço era atrativo. O erro foi ter deixado o mercado crescer tão rápido sem garantir a oferta”, diz Adriano Pires, do CBIE.
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ENERGIA -País não deve desistir de incluir combustível em sua matriz energética
Brasil vai procurar gás fora da Bolívia
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Olhada pelo retrovisor, a escolha brasileira por importar gás natural da Bolívia parece um grande erro estratégico. Não foi. A razão principal para a assinatura do contrato com o país vizinho foi a necessidade que o Brasil tinha, e ainda tem, de diversificar suas fontes de energia. A Petrobrás continuará investindo no combustível e trabalha com quatro opções para abastecer o mercado interno. Duas delas ganharam força com a nacionalização do gás boliviano: a importação do produto em navios e a aceleração de projetos em território nacional. “Até aqui, a Petrobrás parece ter entendido melhor do que o governo federal como deve funcionar a negociação com a Bolívia”, diz o analista Ericson de Paula, diretor da consultoria DCT Energia. A atuação no país vizinho representa apenas 2% dos negócios da empresa e ela já disse que não quer mais investir ali. Somente na semana passada, quando o presidente da Bolívia, Evo Morales, acusou a companhia de ter feito contrabando de gás, o governo brasileiro elevou o tom de voz. Pelo menos em tese, chegou a ser cogitado fim das importações do combustível.
Essa possibilidade coloca a relação entre os dois países em seu lugar. O gás natural boliviano responde hoje por 4% da matriz energética brasileira. Sem ele, o país teria de buscar alternativas, como o óleo combustível, lenha e energia hidrelétrica. Setores como o de cerâmica passariam por dificuldades. Apesar disso, a economia brasileira não pararia. Do outro lado da fronteira o resultado seria mais devastador. “A Bolívia quebra sua economia se de repente não exportar mais para o Brasil. A interrupção no fornecimento faz parte de um cenário muito pouco provável”, diz o especialista no setor de gás Marco Aurélio Tavares, diretor da consultoria Gas Energy. Mesmo para uma empresa com o peso da Petrobrás, os analistas do setor de energia dizem que é arriscado ter apenas um fornecedor para 50% do gás consumido no Brasil. O primeiro passo para diversificar as fontes é aumentar as buscas pelo combustível em território nacional. “A prospecção de gás no país sempre ficou em segundo plano. O combustível existe, mas precisa ser procurado”, diz o geólogo Giuseppe Bacoccoli, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Uma amostra desse potencial foi vista em 2003, quando a empresa encontrou na Baía de Santos um reservatório gigante de gás natural. As perfurações no litoral paulista ainda estão sendo feitas, mas estima-se que somente essa descoberta, que já tem um volume comprovado de 70 bilhões de metros cúbicos, chegue a mais de 400 bilhões de metros cúbicos, o que dobraria as reservas brasileiras. A Petrobrás já tem um projeto orçado em US$ 18 bilhões para explorar a Baía de Santos. A alternativa de explorar o gás em território brasileiro não depende apenas da Petrobrás. O Brasil ainda não tem um marco regulatório para a prospecção do combustível, o que tende a afastar investidores estrangeiros. “É preciso criar condições para que a oferta de gás seja estimulada. A aprovação da regulação é um dos fatores para isso”, diz o especialista no setor de petróleo Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE). Outro ponto fundamental seria a licitação do direito de prospecção em áreas onde há mais probabilidade de ser encontrado o combustível. A extração em solo nacional não pode ser apontada como uma solução isolada. De acordo com analistas, o Brasil também precisa diversificar seus fornecedores externos. “Mesmo com a produção aqui, haverá um aumento na necessidade de importação”, explica Marco Tavares. Isso porque o mercado para o gás vem crescendo a um ritmo muito forte, acima de 15% ao ano, e ainda tem muito espaço. Hoje, esse insumo responde por pouco menos de 9% da matriz energética brasileira, contra uma média mundial de 24%. “Já há mais demanda do que oferta de gás. Por isso a Petrobrás está buscando alternativas para o fornecimento”, comenta o presidente da Companhia Paranaense de Gás (Compagás), Luiz Carlos Meinert. A primeira opção defendida pelos especialistas após a tomada dos campos de extração na Bolívia foi a importação de gás natural liquefeito (GNL), que é transportado em navios especiais a uma temperatura de -160°C. Ele pode ser entregue em diversos pontos da costa e regaseificado. O governo brasileiro também avaliava antes da crise a possibilidade de expandir o gasoduto Brasil–Bolívia e de entrar como sócio em um gasoduto que atravessaria a América do Sul, da Venezuela até a Argentina. “Há um custo político muito alto nesse momento, o que desestimula esses dois investimentos”, avalia Bacoccoli.
Guido Orgis
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Impasse – A tramitação do projeto que autoriza a Copel a comprar as ações da norte-americana El Paso na Usina Elétrica a Gás (UEG) Araucária está suspensa até que as dúvidas sejam esclarecidas. Membro da comissão de Fiscalização, o deputado Reni Pereira (PSB) diz que a Copel tem uma dívida com a Compagás de R$ 425 milhões e quer saber quem vai pagar a conta. “É preciso ficar claro se essa dívida está contabilizada no valor da compra e se é proporcional à participação da Copel na UEG”. Imperdível – O vice-líder do governo na Assembléia, Vanderlei Iensen (PMDB), afirma não entender a razão para tanta polêmica sobre a compra da participação da Copel na UEG. Garante que será um bom negócio para o governo, que vai pagar o valor que a El Paso investiu: U$ 190 milhões. Tempos atrás a empresa, segundo ele, queria vender sua participação por US$ 827 milhões. “Podemos investir mais R$ 11 bilhões para consertar as turbinas e colocar a usina em funcionamento”, garante.
Fonte:
Gazeta do Povo – 14 de maio de 2006
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